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Mostrando postagens de 2025

Se eu pudesse parar o tempo por uma hora

Se eu pudesse parar o tempo por uma hora, acho que eu não faria nada grandioso. Eu simplesmente descansaria. Sentaria em silêncio e olharia para dentro de mim, como quem vasculha um baú antigo, buscando entender por que duvido tanto de mim mesma… quando, no fundo, sei que sou muito melhor do que pareço. Eu me perguntaria por que ainda gasto tanta energia com coisas que, daqui a cinco anos, não vão importar. Por que ainda me deixo afetar por expectativas vazias, pressões externas, vozes que não conhecem minha história? Vejo tanta gente sofrendo por coisas pequenas, passageiras, e então reconheço em mim o mesmo padrão. Já estive ali. Talvez ainda esteja, às vezes. Nessa hora suspensa, eu me imaginaria sentada, conversando com todas as minhas versões anteriores. Diria a elas, com carinho e orgulho: “a gente conseguiu”. Não tudo, mas muitas das coisas que sonhamos um dia. Alguns desejos da infância se realizaram sem que eu percebesse que estava, aos poucos, correndo atrás deles. E aí eu...

Nem só luta, nem só glória

Recentemente, me peguei num contrapé de pensamentos. Reclamo da minha realidade atual, mas basta olhar para trás para perceber que tudo o que está acontecendo agora… fui eu quem pediu. Literalmente. Tenho um diário que faz questão de esfregar na minha cara que foi isso mesmo: eu pedi, roguei a Deus, escrevi com todas as letras. Agora me viro com os desejos realizados. Chorão, quando escreveu aquela música, não estava errado, mas acho que ele esqueceu de um detalhe. Não existem só dias de luta ou de glória. Quando a gente coloca uma lupa no dia a dia, vê que cada glória carregou uma luta, e cada luta deixou, nem que fosse de raspão, uma pequena glória. Quem nunca venceu a ansiedade e a vontade de ficar na cama e foi treinar, no mesmo dia em que se sentiu um fracasso total numa reunião de trabalho? Por que essa necessidade de rotular o dia inteiro como “bom” ou “ruim”? A verdade é que todos os dias são um pouco dos dois. Acho que foi isso que me fez parar pra escrever. A gente se vê luta...

Os monstros que eu criei

Eu tenho o hábito de pensar muito sobre a minha vida, minhas escolhas e meus próximos passos, e isso me torna a procrastinadora perfeita. Fico presa nos meus pensamentos e nas possibilidades que eu, meus medos e minha ansiedade criam, para, no fim, sair do outro lado apenas com mais dúvidas. É claro que isso tem raízes profundas e, antes que me entendam mal, sim, a terapia está em dia. Tem dias em que tudo se encaixa, a energia flui e a vida parece seguir no ritmo certo. Já em outros, parece que há uma conspiração universal para me irritar, me tirar do centro e me fazer questionar todas as escolhas que fiz. No fundo, percebi que meu problema nunca foi pensar demais, mas sim pensar demais considerando tudo ao meu redor, em vez de considerar a mim mesma e tudo aquilo que faz meus olhos brilharem. Perco meu valioso tempo criando conversas imaginárias, prevendo cenários positivos e negativos, imaginando fracassos catastróficos e uma reputação ruim que eu mesma inventei, sem motivo algum....

A rotina e seus pequenos desconfortos

  Hoje foi um dia particularmente peculiar, adormeci tarde e acordei cansada, olhei no relógio e por trás da minha foto e do horário dizendo que era cedo demais para estar de pé, observei o aplicativo do tempo dizendo que fazia 6 graus. Com o pouco de ânimo que me sobrou ao sair da cama, que estava tão quente e chamativa, me obriguei a levantar e seguir o ritual de banheiro, roupa, pão e comboio. Se as coisas vão bem, o mesmo ritual se repete dia pós dia, porque hoje seria diferente?   Pisei os pés para fora de casa, senti as extremidades do corpo se encolhendo, o vapor saindo das narinas denunciavam que eu tinha colocado uma meia fina demais e que o meu tenis não seria capaz de me esquentar os pés. Olhei para o lado e pisei na rua para atravessa-la e seguir com o habitual ânimo com as mãos nos bolsos até a estação, a batida dos trilhos de ferro, quase faziam acordar as pedras que repousavam pelo caminho, e mais uma vez estava meus pés, um na frente do outro, a subir e desce...

Voltei a ler livros de ficção

  A leitura sempre esteve presente na minha vida, lembro de ver as estantes cheias de livros durante a infância e lembro de ver meus pais lendo livros, jornais e revistas. Eu gostava mesmo da revista “super interessante”, muitas coisas mexiam com a imaginação através dos olhos de quem ainda não conhecia   a internet.   Até mesmo as pesquisas para tarefas de casa eram feitas através das enciclopédias, livros grandes e gordos organizados pelas letras do alfabeto e podíamos achar respostas sobre quase tudo, como um grande dicionário de coisas.  Lembro também de ter uma amiga de infância, daquelas amizades que te desafiam, que influenciam e que te inspiram. Lembro de as vezes ir a casa dela e vê-la sentada no sofá aprendendo novas palavras com seu mini dicionário empoeirado nas mãos. Não é todo mundo que faz isso por diversão, eu realmente fui bem influenciada.  Depois de um tempo, quando a vida adulta começou a cobrar mais de mim, me peguei lendo livros de não f...

Quando nada parece ser seu

Quando algo ressoa em nós, e sentimos que precisamos entender mais do mundo e mais ainda sobre nós mesmos.   Em um mundo caótico em que a regra é abrir a rede social para esquecer, me peguei inúmeras vezes refletindo sobre alguma leitura e podcast que ouvi e como se fosse automático abri a rede social e me perdi com informações picadinhas e toda aquele aprendizado e introspecção para absorver e co-criar foi perdida de alguma forma no labirinto de informações que se misturavam na tela.  É muito fácil ser raso hoje em dia, é comum explorar as beiradas e não mergulhar profundamente em nada, outro dia ouvi de uma pessoa que ela não queria ser especialista em nada, e me peguei julgando essa escolha, pois dentro da minha lente a gente precisa ser muito, mas muito bom em pelo menos uma coisa e é essa coisa que sustenta as generalidades que aprendemos e desenvolvemos.  Falo que julguei, porque interpretei de acordo com os meus paradigmas, e o próprio julgamento me fez refletir...