Voltei a ler livros de ficção
A leitura sempre esteve presente na minha vida, lembro de ver as estantes cheias de livros durante a infância e lembro de ver meus pais lendo livros, jornais e revistas. Eu gostava mesmo da revista “super interessante”, muitas coisas mexiam com a imaginação através dos olhos de quem ainda não conhecia a internet.
Até mesmo as pesquisas para tarefas de casa eram feitas através das enciclopédias, livros grandes e gordos organizados pelas letras do alfabeto e podíamos achar respostas sobre quase tudo, como um grande dicionário de coisas.
Lembro também de ter uma amiga de infância, daquelas amizades que te desafiam, que influenciam e que te inspiram. Lembro de as vezes ir a casa dela e vê-la sentada no sofá aprendendo novas palavras com seu mini dicionário empoeirado nas mãos. Não é todo mundo que faz isso por diversão, eu realmente fui bem influenciada.
Depois de um tempo, quando a vida adulta começou a cobrar mais de mim, me peguei lendo livros de não ficção, sobre pessoas, habilidades, empresas, temas empresariais e aquilo tudo que a gente supostamente deveria aplicar no dia a dia do trabalho, mas que parecem mais ficção do que os livros de Júlio Verne. Tem que ter estômago para lidar com a realidade.
Mergulhei fundo em temas que sabia precisar desenvolver, fui aos confins do mar infinito de coaches e inteligência emocional, para me descobrir tempos depois descontruindo boa parte disso tudo, por que, sim, a vida adulta continua cobrando, até mais do que antes, como se fosse um novo nível mais difícil em jogo de video game em que os chefões evoluem e vai ficando mais difícil lidar com eles com as mesmas armas de agora.
No fim das contas, me peguei na ânsia de voltar a ler ficção, não porque quis fugir da realidade, mas porque me faltava algo, e esse algo era voltar a imaginar, a criar paisagens incríveis na minha mente enquanto meus olhos passeiam por livros de aventura, suspense e amor.
E por fim, compreendi. Eu apenas não queria mais viver em um mundo sem imaginação, e se deixarmos , o dia a dia nos rouba aquilo que temos de melhor em nós.
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