Nem só luta, nem só glória
Recentemente, me peguei num contrapé de pensamentos. Reclamo da minha realidade atual, mas basta olhar para trás para perceber que tudo o que está acontecendo agora… fui eu quem pediu. Literalmente. Tenho um diário que faz questão de esfregar na minha cara que foi isso mesmo: eu pedi, roguei a Deus, escrevi com todas as letras. Agora me viro com os desejos realizados.
Chorão, quando escreveu aquela música, não estava errado, mas acho que ele esqueceu de um detalhe. Não existem só dias de luta ou de glória. Quando a gente coloca uma lupa no dia a dia, vê que cada glória carregou uma luta, e cada luta deixou, nem que fosse de raspão, uma pequena glória. Quem nunca venceu a ansiedade e a vontade de ficar na cama e foi treinar, no mesmo dia em que se sentiu um fracasso total numa reunião de trabalho? Por que essa necessidade de rotular o dia inteiro como “bom” ou “ruim”? A verdade é que todos os dias são um pouco dos dois.
Acho que foi isso que me fez parar pra escrever. A gente se vê lutando tanto, o tempo todo, que esquece de reconhecer as pequenas vitórias que coleciona pelo caminho. E só o fato de parar para reparar nisso já deixa o caminho mais leve, mais habitável. Fico aqui tentando lembrar: quando foi que eu parei de agradecer antes de dormir? Em que momento as dificuldades cresceram tanto que me cegaram para o que já está aqui, e que talvez seja mais do que suficiente?
No fim das contas, o que vale mesmo são as histórias que a gente está criando agora. Porque vai chegar o dia em que a saudade desse exato momento vai bater — e tomara que a gente tenha algo bonito pra contar.
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