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Acordou revirando os cabelos como quem revira a própria alma, sentindo um vazio dentro do peito quase desumano; tentando lembrar o porquê de estar do lado errado da cama e procurando quem já não estava ali. Sim, olhou em volta não reconheceu o próprio quarto, sapatos revirados e uma carta ao chão; tudo ficou claro como a luz que passava pela janela e refletia exatamente em seus cabelos ruivos, cor de fogo. O dia que antecedeu aquela manhã ela queria apagar para sempre de sua memória, a forma como sentiu aquele olhar indiferente, enquanto ele caminhava a passos curtos e nada hesitantes. Ele queria mesmo ir embora. E foi. Não imaginava que aquilo doeria como se alguém arrancasse o coração de seu peito e o jogasse ao vento gelado até congelar. As lembranças não paravam de surgir em sua cabeça e de repente ela gritou; gritou tão alto e estridente que até as paredes resmungaram. Ela não conseguiu, simplesmente o deixou partir. Ela sabia que por muito tempo não conseguiria pensar em nada al...